Duas estreias em janeiro: Lutas.Doc e Profissão Cartunista

Publicado em 30 de dezembro de 2009

Encerrada a programação especial do Ano Novo, a TV Brasil exibe duas estreias a partir do dia 5 de janeiro. O primeiro é Lutas.Doc, que analisa como a violência afetou historicamente a formação da sociedade brasileira e traz o debate para a atualidade. Será que o brasileiro é um povo tão pacífico e cordial como se imagina? A outra estreia é a série Profissão Cartunista. O primeiro episódio dos sete documentários é sobre a história de vida e a obra do artista Henfil. Foi realizado 14 anos depois de sua morte.

LUTAS. DOC É MAIS UMA ESTREIA DA TV BRASIL EM JANEIRO DE 2010

Será que o brasileiro é um povo tão pacífico e cordial como se imagina ?

O novo documentário Lutas. Doc que a TV Brasil estreia no dia 5 de janeiro, às 22h45m, busca respostas a essa indagação, ao abrir um debate sobre a violência, tema frequente na vida dos brasileiros.  São cinco episódios que abordam os vários contextos da violência e suas formas de representação na história do país. Em uma linguagem dinâmica e, inserindo trechos de animação, a série mostra o retrato do caos e da violência na sociedade brasileira contemporânea, abrindo espaço para avaliações e análises. 

Depoimentos de pensadores, sociólogos, historiadores, economistas, políticos,  jornalistas e filósofos renomados fazem uma reflexão sobre como a violência afeta o cotidiano da população brasileira e suas perspectivas para o futuro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Fernando Henrique  são entrevistados nos cinco capítulos.

 Guerra sem fim? É o título do primeiro episódio, que mostra  ser a violência uma constante na história do Brasil. Mesmo as nações indígenas já tinham a guerra no centro de suas culturas. Ou seja, antes da chegada dos colonizadores europeus. Será que o homem brasileiro é cordial - conforme obra do historiador Sergio Buarque de Holanda - generoso e de bom trato? Nesse capítulo, são enfocados conflitos pouco conhecidos, massacres e revistos fatos históricos à luz de um olhar crítico, que questionam a história oficial com argumentos e insights.

No segundo capítulo Recursos Humanos, Lutas. Doc propõe uma discussão sobre os fatores que produziram a escravidão como um "negócio", faz um paralelo entre as vítimas das guerras brasileiras e a oferta de mão-de-obra. Protagonistas políticos, pensadores da elite e egressos dos movimentos sociais questionam quem é a elite brasileira e como ela se dá. Se existe a democracia racial no país. Para chegar ao significado de “trabalho”, os depoimentos costuram hipóteses para compreender como funciona o aparelho ideológico que legitima que trabalhadores que ontem estavam em navios negreiros e hoje aceitem trafegar em ônibus lotados do trabalho às moradias em bairros de periferia.

Fábrica de Verdades é o terceiro episódio e os entrevistados comentam o “lado B” da independência e da proclamação da República, o apoio da classe média à ditadura militar, entre outros eventos históricos. Analisam o papel da mídia no Brasil e a importância da teledramaturgia para a sociedade. Os participantes falam também dos conceitos de “entretenimento” e “liberdade”, a importância das lutas sociais, a sociedade de consumo e a questão da favela como produto cultural e suas formas de representação na cultura de massa.

Quem são os rebeldes no Brasil? Esse é o tema do quarto episódio Heroína sem estátua. Rebeldes são aqueles que se revoltaram contra a ordem instituída ao longo da nossa história, São aqueles que desafiaram a ordem estabelecida e que, muitas vezes, mesmo derrotados e massacrados, plantaram a semente da transformação que modificou de alguma maneira os rumos da história.  Há rebeldes no universo social, na arte e no comportamento. Esse capítulo revê a importância de revoltas como a Cabanagem, a Balaiada, a Revolução Federalista. Além de tentar identificar onde estão os rebeldes e suas rebeliões hoje, os entrevistados refletem, ainda, sobre o conceito de “política” atualmente e sobre o papel da mulher na transformação da sociedade brasileira.

E no último capítulo, com o título O que vem por aí, os depoimentos procuram trazer prognósticos de como será o país no ano de 2100. Os entrevistados discorrem sobre as principais entraves da atualidade. A  melhoria da educação é um dos pontos de destaque, considerada como a grande revolução, além da igualdade de oportunidades e a necessidade de fazer com que alguns êxitos, como a enorme fronteira agrícola disponível no Brasi, cheguem à população.

Além do presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique, participam do programa a senadora Marina Silva (PV-AC), o economista Eduardo Gianneti, o psicanalista Contardo Calligaris, a filósofa   e  os historiadores John Monteiro, Pedro Puntoni e Laura de Mello e Souza. Entre os entrevistados estão também o sociólogo Luis Mir, o jornalista Gilberto Dimenstein, a subprefeita da Lapa, em São Paulo; a escritora e ex-moradora de rua Esmeralda Ortiz, José Junior, do Afroreggae; João Pedro Stédile, do MST,  índios da tribo Guarani-Kaiowá, a filósofa Márcia Tiburi, o escritor Ferréz,  a professora de Comunicação,  Esther Hamburger.

Série Profissão Cartunista começa com Henfil

A estreia da série  Profissão Cartunista na  TV Brasil está marcada para o dia  6 de janeiro, quarta-feira, às 22h. O primeiro episódio é um documentário de 52 minutos sobre a vida e obra do jornalista e cartunista Henfil, realizado 14 anos após sua morte. O programa mostra a carreira do artista desde 1964, relembra seu trabalho em O Pasquim e no Jornal do Brasil, examina seus livros, sua passagem pelo teatro e seu filme Tanga deu no New Yorque Times.

O documentário é narrado pelo próprio Henfil, graças a arquivos sonoros garimpados e remixados. Entre os entrevistados estão personalidades que trabalharam e viveram com Henfil nos diversos momentos de sua carreira. Entre eles, Zuenir Ventura, Miguel Paiva, Ziraldo, Laerte, Jaguar, Tarik de Sousa e Ivan Cosensa, que relembram os tempos do Pasquim e do Jornal do Brasil, veículos onde foram publicadas a maior parte das obras do artista.

A série, uma obra de Marisa Furtado e Paulo Serran, inclui também outros documentários de cartunistas famosos. A exemplo do cartunista Will Eisner, reconhecido internacionalmente através dos quadrinhos. Cenas mostrando o artista trabalhando em sua prancheta, as técnicas usadas e muitas animações feitas sobre os originais do artista estão em três episódios de 50 minutos cada.

Outro documentário é sobre Jerry Robinson, um dos expoentes da Era de Ouro dos quadrinhos norte-americanos e criador do Curinga e Mulher Gato. Animações feitas sobre originais do artista ilustram o filme de 76 minutos. A vasta obra do jornalista e cartunista Ziraldo estará em dois outros documentários de 50 minutos, feitos em 2004. Ricos em imagens de época, os filme narram a história de Ziraldo, a fundação do jornal O Pasquim, em 1968, a censura , as prisões que ele sofreu.

 



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