Dois pesos e duas medidas: os casos Sarney e Arruda

Um governador preso, deposto do cargo e uma possível intervenção federal. Essas foram, até agora, algumas das graves consequências do chamado “Mensalão do DEM”, um esquema ilegal de captação e de distribuição de recursos do Distrito Federal.

A declaração do governador José Roberto Arruda de que era vítima de uma campanha difamatória não resistiu às cenas de corrupção explícita gravadas por um de seus secretários, com o apoio do serviço de inteligência da Polícia Federal. A divulgação dessas imagens em toda a mídia tornou público o esquema e gerou uma indignação nacional.

Emissoras de televisão transformaram a notícia em espetáculo ao vivo e, em cores, na mesma hora em que os fatos transcorriam. Foi uma enxurrada de vídeos mostrando autoridades do Executivo e do Legislativo da Capital Federal recebendo propina.

Tal visibilidade se contrapõe, no entanto, ao caso da censura ao jornal Estado de São Paulo, que há mais de seis meses está impossibilitado de fazer qualquer reportagem sobre outra investigação da PF, a operação Boi Barrica, que envolve Fernando Sarney, superintendente do Sistema Mirante de Comunicação do Maranhão, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O Observatório da Imprensa quer saber por que em duas operações da Polícia Federal há dois pesos e duas medidas em relação à divulgação dos detalhes das investigações. Será que a publicação de fatos jornalísticos de grande importância para a população brasileira deve estar submetida a decisões do poder judiciário?



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