Reforma Ortográfica
O tema do primeiro programa 3 a 1 deste ano, que será exibido nesta quarta-feira (07/01), a partir das 22 horas, é a polêmica reforma ortográfica que acaba de entrar em vigor. Os convidados são Evanildo Bechara, professor, lexicólogo e membro da Academia Brasileira de Letras; Horácio Rolim de Freitas, professor do Liceu Literário Português; e Sérgio França, coordenador Editorial da Editora Record. A apresentação e mediação serão do jornalista Aziz Filho.
Com as novas normas do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que começam a vigorar este mês, mais de 220 milhões de pessoas que vivem nos países lusófonos — Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Timor Leste, e São Tomé e Príncipe, passam a falar realmente o mesmo idioma, respeitando as pronúncias típicas de cada país.
As modificações propostas no acordo alteram pouco mais de 1,5% do vocabulário de Portugal. E menos de 0,5% do vocabulário brasileiro.Palavras como antirreligioso, extraescolar e autoestrada, por exemplo, passam a ser escritas sem hífen. O trema deixa de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados. O alfabeto passa a contar com 26 letras, ao incorporar o "k", o "w" e o "y".
Das palavras "creem" e “enjoo” saem o acento circunflexo. Assembleia, jiboia e feiura perdem o acento agudo.// A expectativa é de que o acordo leve algum tempo para ser completamente assimilado. O período de transição vai até 31 de dezembro de 2012, quando então passará a ser obrigatório.// Até lá, as duas regras — a antiga e a nova — serão consideradas válidas e aceitas.
O acordo foi, finalmente aceito, depois de muita hesitação por parte do governo português que, em nome da tradição, não queria alterar o idioma de Camões. Isso sem contar com outros fatores, como políticos e mercadológicos, envolvidos na questão.
A língua portuguesa está presente em quatro continentes: América, Europa, África e Ásia, e quatro em cada cinco pessoas que a usam são brasileiras. É a sétima mais falada do mundo, mas a quarta, se se considerar que o indiano, o árabe e o chinês (mandarim) não possuem alfabeto e, portanto, não podem ser consideradas universais. Sua importância no cenário internacional é crescente, graças ao desenvolvimento econômico dos países onde é a língua oficial, em especial o Brasil, que tem 190 milhões de habitantes e um mercado consumidor em expansão.
A unificação da ortografia é o passo mais importante para dar novo status internacional à língua portuguesa, além de aproximar efetivamente os povos lusófonos. Uma doação de livros didáticos brasileiros a Angola não beneficiou nenhuma criança porque as palavras são escritas de maneira diferente. Defensores da reforma crêem que, com a nova ortografia, essa diferença será eliminada em uma geração e a língua portuguesa será uma só em Coimbra, São Paulo, Maputo, Díli e Luanda dentro de um período curto de tempo.
A resistência portuguesa foi vencida com muita argumentação, porque Portugal não abre mão da propriedade do idioma como bem nacional, mesmo entendendo que essa propriedade é hoje internacional — e muito mais brasileira do que portuguesa. As telenovelas, a pregação das igrejas brasileiras neopentecostais e a imigração forjaram uma nova realidade ao povo e ao governo português. É essa realidade, apoiada na força econômica do Brasil — em comparação com Portugal —, que acabou por minar e vencer a resistência à unificação da ortografia.
A proposta é que a partir de 2009, os livros impressos em português terão um só vocabulário e poderão circular comercialmente por todos os países de língua portuguesa, como ocorre com os livros em espanhol nos países hispânicos. Esta é a maior importância do acordo ortográfico e representará um salto de qualidade no idioma de Camões no contexto mundial, facilitando o ensino de português em inúmeros países.
Críticos da reforma argumentam que o verdadeiro motivo do novo acordo ortográfico é o interesse da indústria editorial, hoje segmentada nos vários países de língua portuguesa. Obviamente, a unificação da ortografia da língua portuguesa beneficiará as grandes editoras internacionais, cujas obras impressas poderão ser comercializadas em todos os países lusófonos.
Com duração de uma hora e exibido sempre às quartas-feiras, o programa é apresentado por Luiz Carlos Azedo, jornalista experiente em coberturas de temas políticos e de interesse geral.
O 3 a 1 tem um formato flexível que permite dois modelos opcionais. A primeira forma é a de entrevista em que o apresentador e dois jornalistas convidados sabatinam o entrevistado. O segundo formato possibilita a realização de um debate entre três convidados, tendo a mediação do apresentador. O entrevistado da estréia, em 17 de setembro de 2008, foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a Gerente do Núcleo de Programas Especiais, Cristina Carvalho de Mendonça, “as pessoas que estão sendo entrevistadas têm a possibilidade para fazer um único contra-ataque. Isso não torna o jogo mais justo mas, pelo menos, mais limpo”, explica.
“Queremos oferecer ao público um debate mais aprofundado de temas importantes da atualidade, sem nos limitarmos a assuntos, áreas e pessoas. Isso pode ser feito na forma de entrevista ou debate”, destaca Helena Chagas, diretora de Jornalismo da EBC – Empresa Brasil de Comunicação.
Luiz Carlos Azedo
O jornalista Luiz Carlos Azedo é reporter especial e colunista do Correio Braziliense e comentarista da Rádio Club AM (Diários Associados). Trabalhou nos jornais O Dia, O Fluminense, Diário de Petropolis, O Globo e Diário Popular (SP), dentre outros. Foi comentarista político da TV Gazeta de São Paulo.
Direção de produção Andréa Fassina.
Gerente do Núcleo de Programas Especiais Cristina Carvalho de Mendonça.
Diretora de Jornalismo Helena Chagas.
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